quinta-feira, 19 de abril de 2012

63o. ANIVERSÁRIO DE "A CRÍTICA", O JORNAL SEMPRE DE MÃOS DADAS COM O POVO.


A CRÍTICA - 63 ANOS DE MÃOS DADAS COM O POVO


"Dediquei a minha juventude, a minha segunda idade e o resto dos meus dias à defesa deste Estado, que amo e que me teve como berço. 
A Zona Franca está ai, queiram ou não. Fui o primeiro e sou, até hoje, um seu ferrenho defensor. 
Quando indústrias e comerciantes liquidaram suas firmas em momentos de incertezas e foram para outras plagas usufruir seus milhões de dólares adquiridos em Manaus, senti a necessidade de dar uma demonstração de otimismo e confiança em nossa Terra. 
Joguei tudo o que tinha na minha vida comprando a maior rotativa do Norte do país, informatizei o jornal, construí um prédio de 5000m2, investi nos recursos humanos, garanti empregos. 
Quando todos estavam pessimistas quanto ao futuro, dei uma lição de bom filho, de bom amigo, de bom companheiro do meu querido Amazonas”. 
(Umberto Calderaro Filho)


**************

Parabéns à Dona Rita, à Cristina e filhos e a todos que formam a grande família de A CRÍTICA pela passagem do seu 63º. Aniversário. 

Eu me sinto honrado de ter feito parte dessa construção no período de 1968-1972 e ter dado minha contribuição para o fortalecimento do maior jornal da Amazônia, nascido do idealismo, seriedade e profissionalismo do grande patriota UMBERTO CALDERARO FILHO.

O Amazonas deve muito ao “Seu” Umberto. Desde os anos 50 ele contribuiu com todos os Governantes do Estado, lutando pela conquista da Zona Franca e emprestando seu prestígio junto aos governantes federais para a sua manutenção.

Sou muito agradecido ao “Seu” Umberto por ter sido o meu “mentor” profissional e por ele tinha e tenho grande admiração e respeito.

Parabéns Família de A CRÍTICA!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Um modesto economista entende que a capacidade de pagar importações com exportações condiciona o crescimento econômico possível, sem criar problemas no financiamento do balanço em conta corrente."


FINGINDO

A despeito do que dizem pseudocientistas, a única proposição de fato não controversa da teoria do comércio internacional é que "algum comércio é melhor do que nenhum comércio", ou seja, trata-se de um jogo de soma positiva em que os parceiros "ganham" alguma coisa.

Dois séculos de intensos trabalhos e pesquisas, desde Ricardo, não conseguiram medir como se distribuem os ganhos entre os parceiros, qual o efeito do comércio na distribuição de renda entre capital e trabalho e se, após a especialização, a economia pode absorver o emprego disponível. São questões políticas, resolvidas nas urnas, e não no mercado. Sabemos também desde Ricardo que, se uma economia com produtividade superior em todos os bens insistir em ser uma "autarquia", estará perdendo a chance de melhorar a vida dos cidadãos.

A importação é fator de aumento do bem-estar quando dá à sociedade a oportunidade de ampliar o universo de escolha de bens finais - ainda mais quando se trata de partes e componentes ou de bens de capital. Os primeiros ampliam o espectro de oportunidades criando, inclusive, mercado para novos investimentos. Bens de capital aumentam a produtividade e a incorporação de novas tecnologias que aceleram o crescimento.

Tais efeitos são maximizados quando há condições isonômicas do competidor nacional com seus parceiros externos. Há anos estamos destruindo cuidadosamente essa "isonomia". Não é preciso ser físico quântico. Um modesto economista entende que a capacidade de pagar importações com exportações condiciona o crescimento econômico possível, sem criar problemas no financiamento do balanço em conta corrente.

Infelizmente, apesar do aparente "sucesso" de nosso setor exportador, cada vez mais voltado às atividades agrícolas e mineradoras, com concentração em produtos e compradores, não avançamos nada nos últimos 30 anos.

Veja a tabela abaixo:


Fingimos que corremos para ficar no mesmo lugar. O resultado é ainda mais trágico diante do tremendo aumento de nossas relações de troca!

FOLHA DE SP /OPINIÃO / FINGINDO / ANTÔNIO DELFIM NETO / 18/04/12

Leia a íntegra do pronunciamento de Lula no dia 12 de agosto de 2005, às 13 horas e 57 minutos

DISCURSO DO LULLA EM REUNIÃO MINISTERIAL

UOL / 12/08/2005 - 13h57

Meus amigos,

Minhas amigas.

Boa tarde, 

Meu querido companheiro José Alencar, vice-presidente da República e ministro da Defesa,



Minhas companheiras ministras e ministros, que participam desta reunião.


Fiz questão de que as minhas palavras neste encontro de trabalho fossem abertas à população brasileira. Temos assuntos importantes a discutir que dizem respeito a toda sociedade. Mas antes de mais nada, quero saudar em especial os novos ministros que vêm reforçar a nossa capacidade de ação nesta segunda metade do meu mandato. Vocês estão entrando num governo, que apesar de todas as dificuldades, fez o Brasil retomar o caminho do progresso e da justiça social.

Voltamos a crescer, mas desta vez de maneira sustentável, com a inflação baixa e, o que é mais importante, gerando milhões de empregos no campo e nas cidades. Tenho certeza de que o povo sente a diferença, o país está mudando para melhor. 

A inflação é a menor dos últimos cinco anos, a produção industrial registra aumentos sucessivos. Na balança comercial as exportações ultrapassam a casa dos 110 bilhões de dólares nos últimos doze meses. É o melhor resultado da nossa história.

Mas o que mais me orgulha, pela minha história e pelo compromisso que tenho com a gente humilde da nossa terra, é a forte retomada da oferta de trabalho. Em 30 meses já criamos 3 milhões, 135 mil novos empregos com carteira assinada. Isso significa 104 mil novas vagas formais por mês, 12 vezes mais que a média dos anos 90, sem falar nos postos de trabalho no mercado informal e na agricultura familiar.



Criamos um ambiente favorável para a volta dos investimentos. Projetos no valor de mais de 20 bilhões de dólares já estão programados para entrar em operação na nossa economia.


Novas frentes de expansão em energia elétrica, transportes, novas fábricas e construções fizeram a produção de bens de capital crescer 10% nos últimos dois meses. Na área social, 7 milhões e 500 mil famílias de brasileiros mais humildes têm garantido o acesso a uma renda mínima através do programa Bolsa Família. Até o final do ano, 8 milhões e 700 mil lares serão beneficiados pelo programa. 

Uma revolução está em marcha no mercado de consumo popular no nosso país. Expandimos o crédito com desconto em folha e muitos trabalhadores puderam pagar as suas dívidas e comprar uma geladeira, um fogão ou outro bem desejado por suas famílias.



Por isso, as vendas nesse setor cresceram 21% no segundo trimestre, comparado ao mesmo período de 2004. Este país não pode parar. Tenho certeza de que este é o desejo da sociedade brasileira.


Companheiros, ministros e ministras,

Estou consciente da gravidade da crise política. Ela compromete todo o sistema partidário brasileiro. Em 1980, no início da redemocratização decidi criar um partido novo que viesse para mudar as práticas políticas, moralizá-las e tornar cada vez mais limpa a disputa eleitoral no nosso país.

Ajudei a criar esse partido e, vocês sabem, perdi três eleições presidenciais e ganhei a quarta, mantendo-me sempre fiel a esses ideais, tão fiel quanto sou hoje. 

Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país. O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política e lutar ao lado do povo pobre e das camadas médias do nosso país. Eu não mudei e, tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória. 

Mas não é só. Esta é a indignação que qualquer cidadão honesto deve estar sentindo hoje diante da grave crise política. Se estivesse ao meu alcance, já teria identificado e punido exemplarmente os responsáveis por esta situação. Por ser o primeiro mandatário da nação, tenho o dever de zelar pelo estado de direito. O Brasil tem instituições democráticas sólidas. O Congresso está cumprindo com a sua parte, o Judiciário está cumprindo com a parte dele. Meu governo, com as ações da Polícia Federal, estão investigando a fundo todas as denúncias. Determinei, desde o início, que ninguém fosse poupado, pertença ao meu Partido ou não, seja aliado ou da oposição. Grande parte do que foi descoberto até agora veio das investigações da Policia Federal.

E vamos continuar assim até o fim, até que todos os culpados sejam responsabilizados e entregues à Justiça. Mesmo sem prejulgá-los, afastei imediatamente os que foram mencionados em possível desvio de conduta para facilitar todas as investigações. Mas isso só não basta. 

O Brasil precisa corrigir as distorções do seu sistema partidário eleitoral, fazendo urgentemente a tão sonhada reforma política. É necessário punir corruptos e corruptores, mas também tomar medidas drásticas para evitar que essa situação continue a se repetir no futuro.

Quero dizer aos Ministros que é obrigação do governo, da oposição, dos empresários, dos trabalhadores e de toda a sociedade brasileira não permitir que esta crise política possa trazer problema para a economia brasileira, para o crescimento deste país, para a geração de empregos e para a continuidade dos programas sociais. Temos que arregaçar as mangas e redobrar esforços. Peço que aumentem, ainda mais, a sua dedicação. Se atualmente vocês, Ministros e Ministras, trabalham até 11 h da noite, trabalhem um pouco mais, até meia noite, uma hora da manhã, porque nós sabemos que muito já fizemos, mas muito mais temos que fazer porque o Brasil precisa de nós.

Queria, neste final, dizer ao povo brasileiro que eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas, porque o povo brasileiro, que tem esperança, que acredita no Brasil e que sonha com um Brasil com economia forte, com crescimento econômico e distribuição de renda, não pode, em momento algum, estar satisfeito com a situação que o nosso país está vivendo. 

Quero dizer a vocês: não percam a esperança. Eu sei que vocês estão indignados e eu, certamente, estou tão ou mais indignado do que qualquer brasileiro. E nós iremos conseguir fazer com que o Brasil consiga continuar andando para frente, marchando para o desenvolvimento, para o crescimento da riqueza e para a distribuição de renda.

E eu tenho certeza que posso contar com o povo brasileiro.

Muito obrigado.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Os brasileiros têm que continuar relembrando os fatos que integraram o MENSALÃO, criado e institucionalizado pelo PT e aliados na estrutura administrativa do país, como o “escândalo-rei”, cuja escala o colocaria no livro dos recordes como o maior roubo praticado no mundo, pela maior quadrilha organizada na administração pública de um país. Não podemos deixar isso em brancas nuvens. Todos nós vamos continuar de vigília, alertando e realertando os mínimos detalhes aos Ministros do Supremo Tribunal de Justiça, para que todos sejam condenados, inclusive O CHEFE que, apesar de ter escapado do julgamento por culpa da oposição da época, será desmoralizado na sua tentativa de desqualificar a existência do grande crime e dos outros criminosos.


A verdadeira operação abafa

A tática dos lulopetistas de acusar os adversários políticos de praticar as malfeitorias que eles próprios cometem é sobejamente conhecida, mas chega a ser desconcertante o caradurismo da operação abafa que suas lideranças estão tentando instaurar diante da iminência do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temerosa de que a Suprema Corte venha a confirmar a existência do maior escândalo de corrupção da história da República, a cúpula petista tenta por todos os meios - inclusive a pressão sobre os ministros do STF - desqualificar as acusações que pesam sobre os 38 réus do processo e, por meio das mais deslavadas chicanas, provocar a postergação do julgamento para 2013. Com isso estariam os petistas, no mínimo, se poupando de maior desgaste político em ano eleitoral e permitindo a prescrição de muitas das denúncias.

A operação abafa lulopetista se desenvolve em dois planos: o político, com a tentativa de desqualificar perante a opinião pública as acusações que pesam sobre os mensaleiros, sob o argumento cínico de que eles fizeram o que "todo mundo faz"; e o jurídico, técnico, no qual procuram demonstrar tanto a existência de vícios processuais que precisam ser corrigidos quanto a inexistência de provas suficientes contra réus como o notório José Dirceu.

Para demonstrar o que todo mundo sabe - que corruptos existem em todo canto - os petistas assumiram até mesmo o risco de apoiar a CPI do Cachoeira, que está sendo constituída para investigar o envolvimento do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com governantes e políticos. Pretendem, é claro, atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, e fazer barulho em torno do envolvimento do senador oposicionista Demóstenes Torres com os negócios do bicheiro. E não se pejam de alegar que os principais veículos de comunicação do País estão envolvidos - ora vejam - numa operação abafa destinada a acobertar os malfeitos do desmoralizado senador goiano.

A direção do partido foi muito longe, muito depressa. Tanto que a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, queixou-se da precipitação e dos termos da nota oficial do PT e chegou a pedir a Lula que não jogue mais lenha na fogueira. Como se sabe, Lula não vê a hora de destruir politicamente o seu desafeto Marconi Perillo. Dilma, no entanto, se preocupa com os respingos de lama que a CPI certamente jogará no governo que preside.

Os petistas apressados tentam confundir delitos diferentes cometidos por gente da mesma espécie. O caso Demóstenes é uma coisa - e os culpados precisam ser punidos -, enquanto o mensalão é outra coisa - e os culpados precisam ser igualmente punidos. Os dois casos têm origem na mesma cultura que leva à apropriação indébita dos bens públicos e à desmoralização das instituições. Mas são delitos que precisam ser examinados e julgados, cada um a seu turno.

No que diz respeito ao STF, os petistas confiam, sempre movidos por seu enraizado sentimento de patota, no fato de que a maioria dos atuais ministros foi nomeada por Lula e Dilma. É uma expectativa que não honra a tradição de absoluta isenção partidária com que os juízes da Suprema Corte historicamente se comportam no desempenho de suas altas responsabilidades. Mas, a julgar pelo que circula na área do partido do governo, o próprio Lula estaria empenhado em fazer pressão sobre os ministros, já que é o maior interessado em evitar que a existência do maior escândalo de corrupção de seu governo seja confirmada pela Suprema Corte.

De qualquer modo, se já não bastassem os reiterados exemplos de rigor lógico e técnico em seus julgamentos - como destacamos recentemente em editorial sobre a decisão de que não constitui crime o aborto de fetos anencéfalos -, tudo indica que o STF está convencido de que é mais do que chegada a hora de se pronunciar sobre o escândalo do mensalão, conforme revelou o ministro Carlos Ayres Britto, que na próxima quinta-feira assume a presidência do STF. "É preciso julgar com brevidade, porque há o risco de prescrição", disse ele. Para tanto, o processo precisa ser julgado até o dia 6 de julho, para evitar que a decisão final da Corte só venha a ser proferida no próximo ano.

O Estado de S.Paulo /Opinião / 17 de abril de 2012 | 3h 05

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu Prezado Serafim, eu tinha certeza absoluta que esse Processo não lhe seria desfavorável. Quem conheceu o processo sabia de antemão que o mesmo não continha materialidade (parece que é assim que se diz) para sustentar a acusação feita de má-fé e com base em ódio pessoal. Parabéns!


A JUSTIÇA FOI FEITA

Do Blog do Sarafa

Durante quase quatro anos sofri uma ação judicial na qual era acusado de ter feito doação de um terreno a uma igreja que, em verdade, não fiz.

Ainda há pouco a 1ª Câmara do Tribunal de Justiça do Amazonas julgou o meu recurso e por unanimidade deu-me razão.
Reitero a minha confiança na Justiça que pode até tardar, mas não falha.

Agradeço: a Deus, em primeiro lugar, por ter me dado serenidade e equilíbrio em todos os momentos; ao meu competente advogado Dr. Gilberto Valente, pelo seu brilhante trabalho; à minha família, sempre solidária e ao meu lado; aos meus companheiros do PSB e aos meus amigos que sempre estiveram comigo.

Não guardo mágoa, nem rancor de ninguém. Este assunto ficou para trás.

Agora, de olho no futuro, vamos em frente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

“Pressionado por lideranças nacionais do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acha que seu nome tem apelo e unificaria as oposições, o tucano Arthur Virgílio balança entre a possibilidade de ser candidato a prefeito de Manaus e a esperança de reconquistar o mandato de senador na Justiça. Mas tem certeza de uma coisa, não vai disputar eleição para a Câmara Municipal de Manaus. “Não é uma coisa que o meu coração me indique pra ir. Nem meu cérebro”. Em visita ao Portal do Holanda, antes de viajar para Brasília, onde terá encontro com a cúpula do seu partido para acertar a estratégia definitiva para as eleições municipais deste ano, Arthur Virgílio disse que a candidatura a prefeito será avaliada “com sensatez, mas não descarto”. Deixou nas entrelinhas a indicação de que vai seguir a cartilha dos outros três líderes que influenciam na disputa: Omar Aziz, Eduardo Braga e Amazonino Mendes. "Considero cedo para tomar uma atitude”. Numa eventual disputa pela prefeitura, Arthur diz que não teria adversários pessoais, “eu teria uma infinidade de adversários”, afirma, citando a falta de saneamento básico, a desorganização do Centro Histórico de Manaus, os buracos das ruas, os serviços deficientes de transporte, de saúde e o sistema educacional. Contra o prefeito Amazonino Mendes afirma não ter nenhuma posição sectária e o elogia por ter criado a UEA. “Eu entendo, porém, que o prefeito Amazonino faz um governo comum. Um governo tradicional, aquela coisa de sempre”, diz, acrescentando em seguida: “um governo que parece um pouco a seleção brasileira, sem brilho, sem criatividade, repetindo fórmulas”. Sobre a política nacional, desejou sorte ao conterrâneo Eduardo Braga na tarefa espinhosa de liderar uma bancada que não está unida e um governo que ainda não conseguiu fazer acordo com o maior partido aliado, o PMDB de Braga. “Sua indicação parece ser assim contra certas lideranças do partido”, analisa e afirma: “Nessa fase em que ele está ali, se ambientando, ele toma algumas bolas nas costas que talvez o leigo não perceba mais que eu tenho obrigação de perceber”.

ENTREVISTA DO EX-SENADOR ARTHUR VIRGÍLIO NETO AO PORTAL DO HOLANDA, NO DIA 08.04.2012.

Do Portal do Holanda, 08.04.2012.



ARTHUR FALA DE CANDIDATURA, DIZ QUE TORCE PELO SUCESSO DE BRAGA COMO LÍDER DE DILMA E QUE AMAZONINO NÃO FAZ GOL.

Pressionado por lideranças nacionais do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que 

Portal do Holanda - Bom, vamos começar pelo mais recente. O PSDB está querendo que o sr. seja candidato a prefeito, pois pretende lançar candidato em todas as capitais. Esse é um fato novo ou o sr. já estava trabalhando com uma possibilidade de ser candidato? 

Arthur - Não, não estava pensando na candidatura por duas razões bem básicas. Eu tenho um processo correndo na Justiça, processos movidos pelo Ministério Público contra a fraude eleitoral de 2010, no Senado, que corre na justiça eleitoral do Amazonas, aqueles contra os mandatos eletivos, e são três, contra dois candidatos. Coisas individuais, acusações bem individuais, não há mistura de candidatos com processos, cada um tem o seu. E aqueles outros dois, também, contra os diplomas, começam já (a tramitar) no Tribunal Superior Eleitoral. Em ambas as situações nós estamos perto das alegações finais. E eu tenho consciência de que não perdi a eleição, não a perdi, o povo do Amazonas sabe disso, e como cidadão eu me acho no direito de ver a justiça sendo feita.

PH -  O sr. teme de algum modo um julgamento nos tribunais superiores, pelo fato de a maioria dos ministros atuais terem sido indicados pelo governo do PT, já que o ex-presidente Lula foi seu maior adversário político?

Arthur - Eu, nesse aspecto, quero até fazer justiça ao ex-presidente Lula. E até o momento, à própria presidente Dilma que indicou um ministro que está se saindo muito bem. Eu sempre achei que tanto o Lula, como a própria Dilma, tem sido mais criteriosos ao escolher ministros de cortes elevadas do que ministros de Estado. O ministério que está aí é um ministério debochado. É um ministério que abriga o ministro Fernando Pimentel que não tem mais a menor condição de permanecer à testa do ministério. Ela aceitou a demissão de sete ministros e resolveu que ele não sairia, apesar de todo o desgaste. Eu devo dizer que a esperança que eu tenho me indica que quando alguém chega ao Supremo Tribunal Federal ele se imbui do espírito da Corte. Ele se desliga dos apadrinhamentos. E a maior homenagem que um ministro pode fazer a quem o indicou é ser independente dele. E tem sido assim, de um modo geral. Eu vejo, por exemplo, esse episódio do Mensalão que tem que ser julgado este ano, não tem o que discutir. Vai haver uma pressão de opinião pública muito grande e vai ser uma coisa muito mais forte do eu aquela pelo Ficha Limpa. 

O presidente Lula nomeou mais ministros que qualquer outro presidente da história republicana brasileira, mas eu sinceramente não temo o julgamento dos ministros do presidente Lula. Não temo. São pessoas extremamente preparadas, extremamente cultas. Ele foi criterioso na indicação dos ministros de um modo geral.

PH - No caso de uma decisão desfavorável o sr. não seria mesmo candidato nem a prefeito nem a vereador por Manaus?

Arthur - Andaram falando que eu seria candidato a vereador. Eu não vejo o menor sentido nisso, pelo menos no que eu tenho de raciocínio político atualmente não casa comigo. Não que eu menospreze a Câmara Municipal, nem que eu desconheça o fato de que eu poderia fazer uma bancada forte. Mas não é uma coisa que o meu coração me indique pra ir. Nem meu cérebro.


Mas a orientação nacional do seu partido é lançar candidatos fortes em todas as capitais.


Sobre essa questão da prefeitura tem uma estratégia nacional de lançar candidatos mais fortes que a gente possa, no máximo de capitais, de preferência em todas, e no máximo das 20 principais cidades do país. Eu tenho sentido essa pressão e tanto da direção nacional do partido quanto de companheiros daqui que entendem, primeiro, que o nome unificaria, e segundo, que teria um sentimento em torno dele.


Isso é algo que eu avaliarei com sensatez, e não descarto, na medida em que as pessoas que ponderam são pessoas da maior relevância da vida pública aqui no Estado e para o meu conceito de homem público no país, como é o caso do presidente FHC. Mas ainda considero temprano, considero cedo para tomar uma atitude e dizer. Não me sinto nem um pouco atrasado, nós do PSDB não nos sentimos atrasados em relação aos demais partidos.


São várias forças políticas que tem que se prenunciar. Não acredito que o PMDB do senador Eduardo Braga não vá se manifestar, que o PSD do governador Omar Aziz não vá se manifestar. Aí eu estou me referindo a duas lideranças bastante fortes do Estado, que também terão capacidade de influenciar numa eleição.


PH - Deixe eu lhe perguntar uma coisa...

Arthur - Só para concluir: nós estamos no mesmo pé. Não estamos atrasados, nós estamos conversando, nos definindo e na hora própria vamos dar o pronunciamento definitivo.

PH - O sr. já enfrentou aqui em Manaus as mesmas forças políticas que hoje estão no poder. Enfrentou sozinho e venceu. Numa eventual campanha a sua disposição hoje, e motivação, seriam as mesmas?


Arthur - Se eu fosse comparar, digamos assim, a minha força física de 1988 pra cá, eu diria que ela não deveria ser a mesma, mas talvez ela seja maior que a de muita gente mais moça do que eu. A última eleição para o Senado provou um pouco isso. Eu não dispunha de aviões e helicópteros em profusão como tinham tantos. Foi uma campanha modesta, sim.


Eu usei um tico-tico de helicóptero, usei um tico-tico de avião, mas era uma cosia que não dava pra fazer comitivas e levar 500 pessoas. Parecia um exército romano chegando numa cidade do interior. Foi assim que meus adversários se portaram. E eu sustentei no braço a eleição, pra perder por bem menos do que 1% dos votos, depois tudo aquilo que o MP constatou como sendo indícios muito fortes de fraude eleitoral, de desonra na eleição. Então, eu me sinto muito forte.

PH - Numa disputa hoje, quem seria o seu adversário?

Arthur - Seu eu tivesse que disputar uma eleição, eu teria uma infinidade de adversários. Eu teria a falta de saneamento básico, a desorganização do Centro Histórico de Manaus como adversário. A Copa está às vésperas e eu não estou vendo soluções convenientes para preparar o Centro Histórico para o turismo, teria que ser revitalizado. Os buracos das ruas, o transporte deficiente, o serviço deficiente de saúde, o sistema educacional convencional, muito de fazer escola e inaugurar, achando que é uma grande coisa colocar ar condicionado.


Eu estou me referindo agora a professor bem pago, professor reciclado para dar aula de alto nível para os alunos. Eu estou falando de outro assunto, não estou falando de prédio, porque o prédio com ar condicionado pode ser vir pra qualquer coisa, inclusive pra casa de bingo. Já que está na moda aí o tal Cachoeira. Uma escola que prepare os alunos para a competição na vida.

PH - Como o sr. avalia a administração do prefeito Amazonino Mendes?

Arhur - Falando assim mais diretamente, me referindo no caso à administração do prefeito Amazonino Mendes, se eu dissesse que o prefeito Amazonino não está realizando nada seria injusto. Eu vejo obras significativas, gostei desse projeto inicial da Ponta Negra, ele tá bonito, eu vejo que deu um bom ataque de tapa buraco na cidade, estou aguardando a solução do BRT, que está sendo trabalhado e que é um dos projetos para termos êxito no Amazonas para a Copa de 2014.


Mas na minha opinião ele faz um governo comum, um governo que parece um pouco a seleção brasileira, sem brilho, sem criatividade, repetindo fórmulas, e Manaus precisa de muito mais do que isso, precisa de efetiva inovação, de efetiva prioridade aos problemas essenciais. Ele faz um governo tradicional, aquela coisa de sempre: aquela escola que põe um ar-condicionado, e você não percebe ganhos na qualidade do ensino. Abre um posto de saúde e você não percebe ganhos na qualidade da saúde distribuída para a população.

Pra deixar bem claro que não se trata de nenhuma situação sectária com relação ao prefeito, eu considero que ele tem na vida pública dele uma grande realização. E na época eu estava errado, porque eu estava contra a posição dele. Foi a criação da UEA quando ele era governador. É uma grande obra. Uma obra pra edificar.


Eu vejo Manaus com sua infraestrutura arrebentada. Isso aí seria um trabalho para um bom prefeito fazer com o governo do Estado e com o governo federal. Manaus tem que receber contribuição da prefeitura sim, na questão da segurança pública, embora a parte principal caiba ao governo do Estado. Não dá pra dizer “segurança pública não é comigo, é com o governo do Estado, é com o governo federal”, não dá pra dizer isso. Tem que dizer “é comigo também. É com o prefeito de Manaus, aquele que administra a cidade”.

PH - Hoje nós temos uma bancada federal governista. Temos o líder do governo no senado. Como o sr. avalia o desempenho da bancada diante de tantas mudanças que atingem a Zona Franca?

Arthur - Eu vejo um distanciamento brutal, e vejo também um certo alheamento político. As batalhas tem de ser travadas para que não prossiga o que está em marcha, que é o processo do esvaziamento do Polo Industrial de Manaus. Várias medidas têm sido tomadas, e eles (o governo Dilma) se escondem atrás desse fenômeno inevitável que é a convergência digital, para dizer que não podem proteger mais do que até então foi protegido o polo de Manaus.


Mas fato é que está havendo um claro esvaziamento, é como alguém que tá caindo do 20º andar e até o 12º ele acha que não aconteceu nada, mas daqui a pouco ele vai sentir o contato duro com o solo. Isso demora alguns anos, evidentemente. Eu tenho usado uma expressão que é o contraste entre o presente-passado, no qual se louvam alguns líderes que não estão enxergando com lucidez a questão da Zona Franca, e presente-futuro, que são as perdas que temos sofrido, qualitativas, que vão ser quantitativas, brevemente.


E que se resumem em tirar de nós os segmentos mais dinâmicos tecnologicamente, mais promissores economicamente, e nos deixaram relegados a produzir aquilo que mais hora menos hora também vai acabar fenecendo.

PH - E quanto à liderança do senador Eduardo Braga?

Arthur - Em relação ao senador Braga, que foi escolhido o líder do governo, eu confesso que não entendi bem o processo que levou a essa indicação. Não entendi bem até hoje. Vejo as falas dele, estou acompanhando. Mas custo a entender um pouco o processo que se armou, porque eu não consigo ver a presidente Dilma governando sem fazer um acordo que ainda está por vir, esse acordo não veio, com o PMDB, ao qual pertence o senador Braga.


E como sua indicação pareceu ser algo assim contra certas lideranças do partido, a gente percebe com clareza que nessa fase em que ele está ali, digamos assim, se ambientando, ele toma algumas “bolas nas costas” que talvez o leigo não perceba, mas que eu tenho obrigação de perceber.  O presidente Sarney diz “vamos fazer uma votação da reforma política amanhã” e todo mundo fica pensando: “nossa, como pode propor uma coisa dessa se não teve acerto com o colégio de líderes, sabe que não vai dar em nada, ano de eleição não é ano de votar reforma política?”.


Mais recentemente, depois do rompimento do PR com o governo, que durou vinte e poucos dias, o senador Eduardo Braga teria dito: “Olha, o PR tem condições pra voltar à base”. Aí há uma articulação paralela a ele comandada pelo senador Gim Argello, líder do PTB/DF, habilidoso negociador,  que trouxe para o redil do governo de volta o PR, fazendo uma bancada ponderável de 12 senadores e muito ligada, pelo que eu entendo, aos senadores Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá.


Então, eu torço para que o nosso conterrâneo Eduardo Braga se encontre, se firme e que faça isso em nome de também ele se mostrar capaz de montar uma couraça de proteção ao Polo Industrial de Manaus. Enfim é um conterrâneo, torço para que amealhe prestígio e que isso sirva pra proteger a Zona Franca também. Senão não tem nenhuma valia, não tem nenhuma validade.

PH - Voltando à eleição municipal. Na hipótese do sr. não ser candidato, o PSDB tem já definidos nomes para a disputa, tem nome totalmente qualificado para apresentar?

Arhur - Tem sim. Nós, inclusive devemos primeiro avaliar qual é o meu papel nisso. Segundo, avaliar os nossos nomes. Estamos longe de ter definição por um nome de fulano ou sicrano. Nós temos que analisar densidade eleitoral inicial, capacidade de fazer alianças. Às vezes é uma pessoa que tem densidade eleitoral boa, mas não é capaz de agregar.  É um fator limitador, não que dizer que vai inviabilizar o nome, mas é limitador.


Dá pra citar por exemplo o do ex-vereador Plínio Valério, que foi extremamente bem votado na última eleição para deputado federal, o ex-vereador Paulo De Carli que é um jovem muito disposto à luta e muito preparado. Nós temos o senador Jefferson Praia que é uma figura de honradez comprovada e que também saiu bastante bem na sua última eleição para o Senado, o vereador Mário Frota, que já foi vice-prefeito, deputado federal três vezes e deputado estadual. Ou seja, reúne experiência para disputar uma eleição.


E evidentemente que não podemos nos fechar a conversas com setores de fora do partido. E nas conversas com setores de fora do partido, eu não entendo que nós devemos chegar impondo. Sentar numa reunião dizendo que está tudo muito bem, desde que o candidato seja o meu, isso significa que não está tudo bem.

PH - Então há possibilidade de haver uma coligação em que o PSDB não seja a cabeça de chapa?

Arthur - Eu te digo assim: a intenção dos nossos candidatos pré-candidatos a vereador, dos nossos pré-candidatos a prefeito, a intenção da maioria do partido é no sentido de que nós tenhamos candidatura. Agora, o partido vai procurar negociar. Se o partido tiver de negociar com setores ele tem que provar para esses setores que ele tem nomes mais convenientes para esses setores do que os nomes desses setores, para disputar a cabeça da chapa.


Então eu entendo que nós não devemos ter preconceito contra ouvir forças afins. Eu incluo entre essas forças afins o PSB, o DEM, o PPS, o PV. Política se faz à base de muita saliva durante as tratativas e muita sola de sapato gasta durante as eleições. E o PSDB tem que estar apto a cumprir as duas etapas. Tanto para negociar de maneira aberta e se não chegar a bom termo sai com força própria, como qualquer um tem direito de fazer. Sai isolado, mas pode sair com força própria, apoiado. E procurar fazer o melhor papel.

PH - Com os três principais líderes da base governista, Omar, Amazonino e Eduardo Braga fora da disputa, o sr. acha que este é um momento em que a oposição pode retomar o governo municipal?

Arhur - Através de um dos seus candidatos, sim. Eu via um favoritismo muito nítido no senador Eduardo Braga, mas sinceramente eu fiquei espantado que eu vi 44%.  O Amazonino quando saiu para o governo contra mim (1986), saiu com sessenta e tantos, uma coisa de louco. O Gilberto depois (1988), também sessenta e tantos. E olhe que eu vinha de uma eleição de governador dura contra o Amazonino, vinha de um recall muito forte.  Mas naquela eleição com o Gilberto eu acabei ganhando. Mas eram eleições em que esses caciques, eles saiam com uma gordura pra queimar muito grande.


Mesmo com o senador Braga teria o segundo turno. Seria uma eleição que eu reconheço o favoritismo inicial dele, mas uma eleição que no segundo turno pode acontecer tudo. Inclusive a vitória do favorito. Porque se tem 43, passa para o segundo turno com 40%, 45, sei lá, fica mais perto de 50 do que aquele que passou pro segundo turno com 22%. Mas nada parecido com o passeio de ganhar no primeiro turno, enfim. Manaus tem uma tradição de eleição de dois turnos, entre quem entrar na eleição.